Sessões científicas

 



17 de novembro de 2020

“SARS-CoV-2 seroprevalence studies: critical appraisal of the design and methodology’’

Catarina Camarinha
Unidade de Epidemiologia do IMP&SP da FMUL

Resumo: A Organização Mundial de Saúde decretou, a 11 de março de 2020, a COVID-19 como pandémica dado à sua rápida propagação e aumento do número de casos em todo o mundo.

Os estudos serológicos populacionais tornaram-se, deste modo, necessários e importantes para determinar o número acumulado de infeções do SARS-CoV-2, as taxas de ataque de infeção na população e para determinar a proporção de infeções subclínicas e assintomáticas. Esta informação é fundamental para uma melhor compreensão da circulação do SARS-CoV-2, contribui para elaborar estimativas mais precisas das taxas de mortalidade, para calibrar os modelos matemáticos e para prever a dinâmica da epidemia em curso. O conhecimento adequado sobre a extensão da doença permite melhorar as respostas e o planeamento da saúde pública, bem como avaliar da efetividade das medidads tomadas.

No entanto, estes estudos poderão assumir diferentes opções metodológicas, na amostragem, definição dao população alvo, processo de recrutamento, técnica laboratorial, etc. 

O objetivo deste trabalho é efetuar uma recolha sistemàtica, análise, comparação e a avaliação crítica dos desenhos e metodologias aplicadas nos estudos de seroprevalência da SARS-CoV-2. Pretende-se também fazer uma discussão das suas utlidades e potenciais implicações.


3 de novembro de 2020

“Estudo dos efeitos adversos na saúde da população residente em Lisboa e Vale do Tejo por exposição a matéria particulada em suspensão na atmosfera.”

Isabel Alves 
Direção de Serviços de Informação e Análise da Direção-Geral da Saúde

Resumo: Pretende-se com este estudo estimar os potenciais efeitos adversos na saúde da população exposta à matéria particulada em suspensão na atmosfera, em cada um dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) nos anos entre 2014 e 2018. Para o ano mais recente verificar-se-á se existem diferenças entre as estimativas dos efeitos adversos na saúde obtidas para cada um dos ACES.

Para atingir este objetivo serão seguidos os três passos inerentes a uma avaliação do risco, para cada um dos ACES e para cada um dos anos em estudo:
i)    avaliar a exposição da população à matéria particulada em suspensão no ar
ii)    estimar o risco para a saúde associado a essa exposição
iii)    estimar a incerteza das estimativas

Atendendo à disponibilidade dos dados de qualidade do ar e de saúde para um horizonte temporal de alguns anos, será também possível analisar eventuais variações locais que possam ser associadas a medidas de melhoria da qualidade do ar que tenham sido implementadas (identificando boas práticas, a replicar noutros locais) ou estimar o impacto de medidas que possam vir a ser tomadas.

Pretende-se que os resultados possam contribuir para a avaliação do risco para a saúde associado à poluição do ar, propondo um sistema de monitorização que possa continuar a ser utilizado no futuro e possa ser adaptado para outras regiões do país, para apoio à tomada de decisão em saúde pública, ao nível local e regional. A importância deste estudo reside, igualmente, na disponibilização pública de resultados para o nível local, o que pode aumentar a consciencialização dos cidadãos residentes nesses locais para a adoção de comportamentos que concorram para a diminuição das emissões de poluentes do ar.


27 de outubro de 2020

Construção de um modelo preditivo do movimento da urgência pediátrica de um hospital público da ARS LVT com a inclusão de fatores cronológicos, metereológicos e sociais

Helena Isabel de Almeida
Assistente Graduada Sénior na UCIEP, Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca

Resumo: Com este estudo pretendeu-se contribuir para a compreensão das periodicidades da procura de um Serviço autorreferenciado de Urgência Pediátrica, correlacioná-las com algumas variáveis meteorológicas e de calendário e construir um modelo preditivo da afluência a essa urgência.

O modelo preditivo construído utiliza as periodicidades temporais, humidex e calendário escolar; tem uma MAPE (mean absolute percentage error) de 10,7% ± 1,10% com validação cruzada entre os vários anos estudados.

Apesar da complexidade e caráter multifatorial das razões que levam um doente a procurar os SUP, este estudo mostra que o número de episódios diários pode ser explicado e previsto por um pequeno número de variáveis.


30 de julho 2020

“Análise da sobrevivência de pacientes com cancro da mama em Angola 2014- 2018.”

Luísa Sambo
(Aluna da 10ª edição do Mestrado de Epidemiologia)

Resumo: O estudo pretende caracterizar o perfil das pacientes com cancro da mama registadas no Instituto Angolano de Controle do Cancro entre 2014 e 2018; analisar a ocorrência de óbitos em função de variáveis sociodemográficas e clínicas; determinar as taxas de sobrevivência de acordo com as etapas clínicas, grupos etários e outros fatores potencialmente associados ao prognóstico. 


30 de julho 2020

“Estudo das doenças imunoalérgicas na infância: Fatores relacionados com os primeiros 1000 dias de vida e estado nutricional atual.”

Joana Baleia
Faculdade de Medicina de Lisboa e Centro de estudos e investigação em Dinâmicas Sociais e de Saúde (CEIDSS)
(Aluna da 10ª edição do Mestrado de Epidemiologia)

Resumo: Irá ser apresentado e discutido o ponto de situação do trabalho que pretende conhecer as doenças imunoalérgicas na população infantil da região de Lisboa e Vale do tejo que participaram no estudo COSI Portugal 2019, e analisar a sua relação com o estado nutricional e o histórico dos primeiros 1000 dias de vida das crianças de hoje, contribuindo para reforçar ou mudar algumas práticas e recomendações no que diz respeito à diversificação alimentar e amamentação, e adicionalmente reforçar os argumentos que sustentam a necessidade de aumentar os programas de educação alimentar materno-infantil.


28 de julho de 2020

“Baixo Peso à Nascença no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE entre 2014 e 2018: fatores de risco e evolução no tempo”.

Dr. Miguel Cabral de Pinho
Médico de Saúde Pública do ACES Grande Porto III – Maia / Valongo
Resumo: A prevalência de baixo peso à nascença é um dos indicadores mais utilizados a nível internacional para transmitir as condições sócio-económicas e de saúde em que as mulheres de uma determinada área geográfica desenvolvem a sua gravidez. Os fatores que influenciam este indicador são vários e os impactos do baixo peso à nascença continuam a revelar-se com um maior alcance temporal do que o pensado. Na Amadora e em Sintra, os valores deste indicador têm sido dos mais baixos da região. Pretende-se estudar as características associadas aos recém-nascidos do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, de forma a Identificar os fatores de risco para este resultado de saúde, sua prevalência e evolução nos anos de 2014 a 2018.


9 de junho de 2020

Avaliação de Risco-Benefício de Alimentos (RBA): sua utilidade e propósito.”

Joana Nazaré Morgado

Aluna de doutoramento em Ciências da Sustentabilidade na Universidade de Lisboa

Resumo: Uma Avaliação de Risco-Benefício consiste numa ferramenta que permite estimar de forma equilibrada os riscos e benefícios para a saúde humana, mediante exposição ou não a determinado(s) alimento(s) ou grupos de alimentos (dieta alimentar) ou ainda componentes alimentares. Como a natureza destes riscos e benefícios pode ser toxicológica, microbiológica ou nutricional, estes deverão ser integrados em métricas comparáveis, p.ex. em DALY.


17 dezembro de 2019

“Caraterização clínica, epidemiológica e manométrica da disfagia torácica não obstrutiva, e seu impacto na qualidade de vida”

 

Dr. José Pedro Rodrigues
Serviço de Gastroenterologia do Hospital Egas Moniz, CHLO
Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

Resumo: A disfagia torácica refere-se à dificuldade na deglutição de líquidos ou sólidos, sendo tipicamente referida segundos após a mesma, com sensação de bolo alimentar retido a nível cervical ou retrosternal. Uma vez excluída causa obstrutiva por endoscopia digestiva alta, a manometria esofágica de alta resolução apresenta-se como técnica padrão por excelência na sua caracterização e na classificação de doenças motoras do esófago. Além das consequências físicas, a disfagia poderá ter um impacto significativo na vida pessoal e profissional dos doentes. Entre as medidas de patient-reported outcome (PRO) disponíveis para avaliação da disfagia, destaca-se a escala PROMIS-GI disrupted swallowing pela facilidade na sua obtenção e robustez na conceção. Pretendem os investigadores a caracterização epidemiológica e manométrica da população com disfagia esofágica não obstrutiva referenciada para centros portugueses com competência em manometria de alta resolução (MAR) e avaliar o seu impacto na qualidade de vida geral e associada a doença. Para o efeito propõem-se ainda a traduzir e validar a escala PROMIS-GI disrupted swallowing para língua portuguesa. Pretende-se a realização de um estudo observacional, longitudinal, prospetivo da população de doentes com disfagia esofágica não obstrutiva referenciada a centros portugueses com MAR. 


12 dezembro de 2019

“Perfil Epidemiológico da Malária e Adesão ao Tratamento em Menores de Cinco Anos, Malanje-Angola”.

Enf. Mateus Gonçalves

Resumo:  Estudo realizado no Hospital Pediátrico de Malanje, Angola, através de entrevista presencial a 150 crianças e cuidadores. É realizado o enquadramento dos programas de luta contra a malária a nível global e nacional, com destaque para o acesso ao tratamento. Foram colhidos dados sócio-demográficos, relativos ao episódio de malária na criança, de conhecimento sobre a doença e de adesão ao tratamento (Escala de Morisky-Green-Levine). Observou-se que as crianças (média de idade de 27 meses, 68% do sexo feminino) foram sobretudo infetados pelo plasmodium falciparum (91%). A adesão ao tratamento foi de 41%, segundo a escala de Morisky-Green-Levine, abaixo do observado noutros estudos. São examinadas as relações entre a adesão ao tratamento e fatores sócio-demográficos, relativos ao episódio de malária e de conhecimento sobre a malária, bem como de motivos de abandono ao tratamento, Além da discussão dos resultados, são apresentadas recomendações para a melhoria da adesão ao tratamento na malária.